É frequente a opinião de que a nossa economia precisa de “campeões nacionais.” Se as nossas empresas não forem grandes e fortes, não conseguirão competir no mercado europeu – e arriscam-se a ser “engolidas” por empresas de maior dimensão. É por conseguinte necessária – continua o argumento – uma política industrial que favoreça a consolidação das maiores empresas, quer através de aquisições no estrangeiro, quer através da fusão entre concorrentes nacionais.
É também frequente a analogia entre o desporto rei e a economia. Normalmente, utiliza-se o primeiro para compreender o segundo. Hoje, pelo contrário, gostaria de falar das lições que a economia pode dar ao futebol.
Todos gostamos de ver o futebol português brilhar nos relvados da Europa e do mundo. Isto aplica-se, em primeiro lugar, à selecção nacional; mas também aos clubes portugueses que participam nas competições europeias. A selecção atingiu nos anos recentes resultados muito positivos, alimentando a esperança de que nas próximas semanas possamos chegar ainda mais alto. Mas a prestação dos clubes portugueses tem ficado um pouco aquém do que seria de desejar.
É aqui que a política industrial tem algo a dizer. O que temos de fazer é aplicar a doutrina dos “campeões nacionais.” Porquê insistir na competição entre clubes em Portugal quando o que realmente conta são as competições internacionais? Porquê manter três clubes que, apesar de várias conquistas no passado, claramente não têm a dimensão, a pujança, o poder económico, de um Barcelona, um Chelsea ou um Milão?
Consistente com a política económica dos campeões nacionais, a proposta para o nosso futebol é simples: a fusão entre os três “grandes”.
A fusão Benfica-Sporting-Porto levanta alguns problemas. Uma questão potencialmente complicada é a localização. Para resolver este problema, deverá construir-se um novo estádio, em local a determinar (provavelmente entre Lisboa e o Porto). Aliás, tal investimento público terá certamente um impacto positivo no crescimento económico do País.
É verdade que a consolidação do futebol português levará a um decréscimo do nível competitivo da liga, cujo vencedor se tornará ainda mais previsível do que é hoje em dia. Por outro lado, falta ainda tratar de questões como o nome, a mascote e o equipamento a utilizar. Mas para quê preocupar-nos com aspectos secundários quando o que está em questão é a prestação dos nossos clubes lá fora? Imagine-se o plantel que o novo clube não terá. Perante esta promessa de poder e riqueza, os obstáculos pouco importam. O sucesso é garantido.