O final do ano é um momento natural de balanço. No que respeita à governação do País, nomeadamente na área financeira, parece-me que o saldo é positivo: não no sentido de performance económica — que é o que é — mas no sentido do cumprimento dos objetivos estabelecidos.
Nem todos concordarão com esta avaliação. Há pelo menos três grupos de objectores ao governo — e ao ministro das finanças em particular. O primeiro grupo corresponde à oposição da esquerda. Não há nada de surpreendente nisto, embora no caso do PS haja algo de deselegante, considerando que muitas das medidas de austeridade foram essencialmente acordadas, implícita ou explicitamente, nas semanas finais do consulado de Sócrates.
Um segundo grupo de objectores tem origem em membros do próprio PSD, nomeadamente antigos ministros e primeiros-ministros. Esta posição parece-me particularmente deselegante. Em primeiro lugar, porque a acusação de que o ministro não tem consciência social é injusta e injustificada. Em segundo lugar, porque quem profere essas acusações tem algumas culpas no cartório do caos financeiro do Estado português.
Finalmente, temos um terceiro grupo (mais restrito, segundo o que consigo apreciar na blogosfera) que ataca a racionalidade económica da política “imposta” pela troika e aplicada pelo actual executivo. A ideia destes keynesianos ortodoxos é que as medidas de austeridade apenas levam a uma pior recessão e, ao limitar assim o crescimento da economia, pioram ainda mais a situação da dívida. Creio que têm alguma razão quanto ao efeito contracionista da política de austeridade, mas esquecem dois pontos importantes. Primeiro, mais do que uma questão de estabilização e crescimento, o que está em causa é uma questão de credibilidade. Segundo, não existe uma proposta alternativa realista à estratégia seguida pelo governo – certamente o anterior governo não a apresentou.