Na Carta Apostólica de há três meses, Bento XVI anuncia a celebração do “ano da fé”, a começar em Outubro deste ano. O Papa reconhece que nos dias presentes a fé é interrogada e posta em causa por uma mentalidade que reduz a certeza racional às conquistas científicas e tecnológicas. No entanto, acrescenta o Romano Pontífice, “a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas tendem, embora por caminhos diferentes, para a verdade”.
Noutra parte da carta, Bento XVI manifesta a sua esperança de que o testemunho de vida dos crentes seja um motivo de maior credibilidade. Embora o Papa se dirija aos seus leitores, esse testemunho vem desde há vários séculos, graças a Deus e graças à vida de grandes cientistas que foram também grandes crentes.
Vem isto a propósito do aniversário do cientista dinamarquês Nicolau Steno (Niels Stensen). Cumpriria anteontem 374 anos. A Google dedicou-lhe um desenho especial nesse dia: as letras do logo foram transformadas numa série de placas tectónicas (vide http://www.google.com/doodles/nicolas-stenos-374th-birthday). Escolha acertada, pois Steno é considerado um dos dois co-fundadores da geologia moderna: algumas das suas descobertas formam ainda hoje parte do ensino básico da disciplina.
Nicolau Steno converteu-se do Luteranismo ao Catolicismo, foi ordenado padre e depois bispo, tendo assumido um papel importante na Contra-Reforma no norte da Alemanha. Morreu com fama de grande cientista e com fama de santidade. O Papa João Paulo II declarou-o beato em 1988: um bom intercessor para os cientistas católicos que se preparam para celebrar o ano da fé.